Às vezes imagino
que sou um tipo de músico, esse teclado alfabético/ numérico no qual escrevo é
o meu instrumento musical, o conjunto de palavras que são impregnadas nesse
espaço em branco é a musica da vida. Sinto-me grande e minúsculo ao mesmo tempo.
Quando paro para refletir tenho noção da minha grandeza perante partículas de
átomos e como sou ridiculamente pequeno se comparado com os demais planetas, a
natureza, estrelas, galáxias, nebulosas e até essa coisa que não entendo tão
bem que os astrônomos dizem se chamar quasar... Sinto que a música remanescente
do meu teclado viaja pelo vácuo grandioso do espaço, sou apenas mais um ser humano
limitado assim como tantos outros que vivem em uma rocha imensa, coberta de
água e oxigênio? Ou eu uso esse corpo apenas para meu sustento, afloramento e
até mudança?
Sim, de fato eu
sou muito mais do que um corpo com cabeça, olhos, mãos e polegares. Sou uma
ideia, posso ser passada de geração em geração, posso ser esquecida, posso ser
exaltada, posso ser qualquer coisa, posso ser o fruto do conhecimento ou da
ignorância e supertição, posso ser certamente absoluta ou posso ser meramente
questionadora, posso ser ela, posso ser ele, posso ser um acorde desafinado ou
ser uma orquestra inteira, posso ser pacífica ou até mesmo agressiva, posso
mudar vidas ou as manter na mesma situação, posso as salvar ou deixar que morram
indiferentemente. Posso ser ambiciosa ou simplesmente ser modesta. Posso ser a
física se redescobrindo, posso ser a literatura, a arte, a pesquisa, a
inspiração. Posso ser tudo sendo apenas nada, posso ser abstratamente concreta
e concretamente sonora. Posso estar em qualquer lugar, em uma escultura que
outrora era uma pedra, em nuvens avistadas no céu, nos aeroplanos que copiaram
as aves, nas aves que conseguem o seu alimento através de muita audácia e na
audácia de ser diferente. Estou presente na credulidade, e também no ceticismo.
Estou no velho e no jovem, estou nos desenhos, estou na TV, estou no rádio,
estou principalmente nos livros...
Faço parte do
amor, faço parte da alegria, faço parte do medo e da agonia. Sou parte do
universo e sou alem de tudo uma forma do universo se conhecer. Estou nas aventuras, estou na calmaria, no
avanço robótico e da tecnologia. Sou o tédio presente na mente do autor e sou o
autor desse eu lírico indagador. Sou o professor, sou o aluno, sou o médico,
engenheiro, bombeiro, pesquisador, cientista e trabalhador. Sou o suor cansado
de quem vai à luta para dar um futuro digno alguém que ama. Não sou o bem, não
sou o mal, sou apenas produto da evolução e nem sempre evolução que dizer
melhora, mas quase sempre significa adaptação. Sou o sorriso alegre de uma
criança curiosa que descobre a resposta de uma pergunta que tanto fez. Sou cada um de vocês que tem um cérebro
desenvolvido o suficiente para me chamar de consciência, de “Eu interior” ou
qualquer outro nome. Posso ser muito mais que algum nerd escritor metido a
inteligente. Posso ser qualquer história, inventada ou não e alem de tudo posso
cria-las, meu apelido é Inspiração.
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