terça-feira, 30 de abril de 2013

Através da janela


Uma vez me perguntaram:
– Marcos, olhe para o teto! Agora, me diga o que você vê?
 – Eu vejo a lâmpada, por que essa pergunta?
Então me responderam:
– Sou eu que faço as perguntas! Olhe para o chão agora.
E assim eu fiz.
– O que você está vendo?
– O piso.
– Olhe pela janela. O que você está vendo agora?
Através de uma janela naquela caixa de concreto tinha um bom numero de árvores, um céu claro e uma brisa que realmente parecia refrescante. E por um momento tive uma epifânia ao olhar tudo a meu redor. Eu vi varias pessoas sentadas ignorando as explicações de um homem que tentava falar de Karl Marx, o homem parecia abatido assim como eu estava e um pensamento surgiu na minha cabeça: esse mundo maravilhoso lá fora e nós, todos infelizes tentado entender um pouco de nós mesmos e esquecendo a imensidão lá fora. Só para isso que vivemos? construir caixas de concretos secas e as chamarmos de lar enquanto andamos de um lado para outro, entre caixas e caixas sem saber realmente estamos fazendo? Tem realmente um motivo nos esperando? É sensato nunca para de andar e se perguntar por que fazemos isso? Mesmo com tudo isso passando em minha cabeça, eu elaborei uma resposta em centésimos de segundos.
– Um mundo inteiro lá fora para ser descoberto!
– Exato Marcos! Um pouco conhecemos e o resto é para descobrirmos.
Em minha mente algo se abriu e percebi que existem sim outras pessoas que questionam o motivo de tudo. Até aquele momento estava me sentindo sozinho em um mundo onde é mais importante ter do que ser. Mas no fim o que se tem é apenas sucata e o que se é acaba sendo refletido em ações que fazem a diferença pra quem não tem nem o básico. E o básico de qualquer pessoa deve ser a duvida e a curiosidade que levam ao conhecimento que muda quem se é que muda quem não tem o básico. Tanto material, quanto intelectual. Devido a isso acredito que boas ações não devem vir pela busca de recompensas, mas sim por ser algo bom para o mundo. Então acho que é muito melhor uma ação do que uma reclamação. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário