Uma vez me
perguntaram:
– Marcos, olhe
para o teto! Agora, me diga o que você vê?
– Eu vejo a lâmpada, por que essa pergunta?
Então me
responderam:
– Sou eu que
faço as perguntas! Olhe para o chão agora.
E assim eu fiz.
– O que você está
vendo?
– O piso.
– Olhe pela
janela. O que você está vendo agora?
Através de uma
janela naquela caixa de concreto tinha um bom numero de árvores, um céu claro e
uma brisa que realmente parecia refrescante. E por um momento tive uma epifânia
ao olhar tudo a meu redor. Eu vi varias pessoas sentadas ignorando as
explicações de um homem que tentava falar de Karl Marx, o homem parecia abatido
assim como eu estava e um pensamento surgiu na minha cabeça: esse mundo
maravilhoso lá fora e nós, todos infelizes tentado entender um pouco de nós
mesmos e esquecendo a imensidão lá fora. Só para isso que vivemos? construir
caixas de concretos secas e as chamarmos de lar enquanto andamos de um lado
para outro, entre caixas e caixas sem saber realmente estamos fazendo? Tem realmente
um motivo nos esperando? É sensato nunca para de andar e se perguntar por que
fazemos isso? Mesmo com tudo isso passando em minha cabeça, eu elaborei uma resposta
em centésimos de segundos.
– Um mundo
inteiro lá fora para ser descoberto!
– Exato Marcos! Um
pouco conhecemos e o resto é para descobrirmos.
Em minha mente
algo se abriu e percebi que existem sim outras pessoas que questionam o motivo
de tudo. Até aquele momento estava me sentindo sozinho em um mundo onde é mais
importante ter do que ser. Mas no fim o que se tem é apenas sucata e o que se é
acaba sendo refletido em ações que fazem a diferença pra quem não tem nem o básico.
E o básico de qualquer pessoa deve ser a duvida e a curiosidade que levam ao conhecimento
que muda quem se é que muda quem não tem o básico. Tanto material, quanto intelectual.
Devido a isso acredito que boas ações não devem vir pela busca de recompensas,
mas sim por ser algo bom para o mundo. Então acho que é muito melhor uma ação
do que uma reclamação.

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