Humanos possuem algumas características estranhas a
seu extinto primitivo, da época de nossos ancestrais que aprenderam a andar
sobre duas pernas e a fazer ferramentas. E é assim, uma parte de nós (nosso
cérebro primitivo) não se interessa pela investigação, tem medo do desconhecido
para prolongar sua existência, uma grande propensão a aceitar uma ideia sem a testar,
uma grande necessidade de algo que possa proteger o individuo de um mundo perigoso
onde ele possa ter alguma esperança e deixando de ser apenas mais um individuo
se tornando parte de algum plano maior, assim se tornando uma presa fácil para
todos que desejam deter algum poder ou privilégio.
E outra parte que é exatamente contraria, sendo extremamente
questionadora. E assim seguia a vida, cada individuo dividido entre essas duas
partes, esses dois mundos. Alguns mais para um lado, outros mais para outro. Em
noites frias e escuras onde a lua não estava no céu, a mais fina penumbra se
tornava a mais densa das escuridões, era comum olhar para o céu e observar o
show noturno protagonizado pelas estrelas e sentar ao redor de uma fogueira
para se aquecer. Eles com gravetos cutucavam as brasas a fim de fazer o fogo
durar mais tempo, afinal era preciso aproveitar bem o fogo que era uma proeza
quase divina de conseguir em uma época daquela.
E depois de alongar o tempo de vida do fogo olhavam
pra o céu novamente, e a face questionadora de seus cérebros os fazia perguntar
uns aos outro e a si mesmos; “O que são esses pontos brilhantes lá no alto?”.
Mal sabiam eles que esses pontos brilhantes eram grandes sóis espalhados na imensidão
do espaço. Mas como não sabiam que aqueles pontos brilhantes eram uma das maiores
fontes de calor do universo devido a sua distancia de nós, acreditaram que
algum deles eram os deuses, outros eram apenas parte de imagens formadas na cúpula
celeste. E uma dessas imagens formadas
era a de um caçador, semelhante à maioria dos que estavam lá se aquecendo a beira
do fogo admirando o carnaval espacial. A maior das estrelas que formam o
caçador, chamado Órion, se chama Betelgeuse. Tem quarenta vezes a massa do sol
e é a cabeça de Órion.
Betelgeuse é como uma fornalha espacial queimando
mais hidrogênio e hélio que o sol já foi capaz reunir em sua massa que é
composta desses elementos. A queima de hidrogênio no interior da estrela o
transforma em hélio, (um elemento duas vezes mais pesado e duas vezes mais difícil
de transformar que por sua vez é transformado lítio) gerando muita energia
térmica, ou calor. Quando o fogo foi descoberto o homem sempre tentou entender
esse fenômeno tão interessante e que mudou os rumos da raça humana. Esse texto
é uma simples homenagem aos humanos que dedicaram suas vidas a entender essa coisa
essencial à vida chamada calor.

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