domingo, 16 de junho de 2013

Fogo


Humanos possuem algumas características estranhas a seu extinto primitivo, da época de nossos ancestrais que aprenderam a andar sobre duas pernas e a fazer ferramentas. E é assim, uma parte de nós (nosso cérebro primitivo) não se interessa pela investigação, tem medo do desconhecido para prolongar sua existência, uma grande propensão a aceitar uma ideia sem a testar, uma grande necessidade de algo que possa proteger o individuo de um mundo perigoso onde ele possa ter alguma esperança e deixando de ser apenas mais um individuo se tornando parte de algum plano maior, assim se tornando uma presa fácil para todos que desejam deter algum poder ou privilégio.

E outra parte que é exatamente contraria, sendo extremamente questionadora. E assim seguia a vida, cada individuo dividido entre essas duas partes, esses dois mundos. Alguns mais para um lado, outros mais para outro. Em noites frias e escuras onde a lua não estava no céu, a mais fina penumbra se tornava a mais densa das escuridões, era comum olhar para o céu e observar o show noturno protagonizado pelas estrelas e sentar ao redor de uma fogueira para se aquecer. Eles com gravetos cutucavam as brasas a fim de fazer o fogo durar mais tempo, afinal era preciso aproveitar bem o fogo que era uma proeza quase divina de conseguir em uma época daquela.

E depois de alongar o tempo de vida do fogo olhavam pra o céu novamente, e a face questionadora de seus cérebros os fazia perguntar uns aos outro e a si mesmos; “O que são esses pontos brilhantes lá no alto?”. Mal sabiam eles que esses pontos brilhantes eram grandes sóis espalhados na imensidão do espaço. Mas como não sabiam que aqueles pontos brilhantes eram uma das maiores fontes de calor do universo devido a sua distancia de nós, acreditaram que algum deles eram os deuses, outros eram apenas parte de imagens formadas na cúpula celeste.  E uma dessas imagens formadas era a de um caçador, semelhante à maioria dos que estavam lá se aquecendo a beira do fogo admirando o carnaval espacial. A maior das estrelas que formam o caçador, chamado Órion, se chama Betelgeuse. Tem quarenta vezes a massa do sol e é a cabeça de Órion.

Betelgeuse é como uma fornalha espacial queimando mais hidrogênio e hélio que o sol já foi capaz reunir em sua massa que é composta desses elementos. A queima de hidrogênio no interior da estrela o transforma em hélio, (um elemento duas vezes mais pesado e duas vezes mais difícil de transformar que por sua vez é transformado lítio) gerando muita energia térmica, ou calor. Quando o fogo foi descoberto o homem sempre tentou entender esse fenômeno tão interessante e que mudou os rumos da raça humana. Esse texto é uma simples homenagem aos humanos que dedicaram suas vidas a entender essa coisa essencial à vida chamada calor.

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